Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

I Used To Love Her (But I Had To Kill Her)

Sonhei contigo hoje, P.
Sonhei que me abraçavas, me beijavas, que me aninhava no teu peito e que tu me dizias, incessantemente que estarias sempre ali, para mim. Consegui sentir o teu toque, o teu cheiro, o teu sabor.

E não sei o que doeu mais, se acordar e perceber que nunca pude viver isso porque, erradamente, quis proteger-te de mim mesma, se perceber que guardo comigo o teu cheiro, o teu olhar, a tua respiração compassada, a força do teu abraço, o teu poder sobre mim. E dói, P., um tipo de dor pré-cordial aguda, de tipo perfurante e constritiva que aumenta na inspiração e não passa na expiração. E só piora quando me apercebo que sempre me conheceste melhor do que eu alguma vez fui capaz de me conhecer.

Penso que a única forma de conseguir ultrapassar isto é conseguir esquecer-te, matar-te dentro de mim. Só que, desperto para a realidade, se te matasse dentro de mim, matar-me-ia também, e sou egoísta demais ou covarde demais para isso. Quero levar-te sempre comigo, só não quero sofrer com isso.

Enterro-te a seis palmos, bem no fundo de tudo, reprimindo tudo (já te disse o quão boa sou a reprimir tudo o que sinto?).

Disseram-me uma vez que encontrávamos o nosso grande amor, quando a única pessoa que merecesse as nossas lágrimas não nos fizesse chorar.

Não sei se é amor, sei que nunca chorei por ti. Porque tudo o que me deste foram sorrisos, confortos, doçura. Não merecias as minhas lágrimas de raiva nem de tristeza, porque nunca me deste motivo nenhum para elas.
Só mereces luz, doçura, paz. E amor infinito.

Oxalá eu conseguisse sublimar tudo isto.

Amo-te, hoje e sempre,
J.

"she ran away in her sleep and dreamed of para-para-paradise, every time she closed her eyes."

Terça-feira, 20 de Março de 2012

It's not always rainbows and butterflies...

Porque a minha twin, M., "obrigou-me" a escrever um texto sobre o Amor, numa entrevista de fórum muito cool aí. Então, cá vai.

Amor, por J.

Amor, é uma coisa fodida. Por mais que te contém coisinhas de finais felizes e coisas do género, Amor vem de onde menos esperas, muitas vezes contra tudo o que desejas e contra aquilo em que acreditas. Amor é uma dicotomia, um paradoxo. Arrebata-te e toma-te por inteiro, sem que possas sequer fazer seja o que for para o impedir. Surge seja como for, por quem for, sobre e apesar de tudo. Amor, é doloroso, porque nem sempre amamos e somos correspondidos, porque ás vezes somos correspondidos mas somos duas estrelas em rota de colisão; porque ás vezes não é para ser, naquele momento.

Amor é também bonito, e pode ser doce. Amor é quando os teus olhos procuram a luz do olhar de outrem, é quando choras, ris, gritas, abraças, é quando vives em sintonia com outra pessoa. É quando farias seja o que for para que a outra pessoa não sofra, ainda que isso implique que sejas tu a sofrer. É quando acima de tudo, desejas o melhor para aquela pessoa, independentemente do que possa ter acontecido entre vocês. Amor é como o vento que sopra nos teus ouvidos, porque permanece em ti mesmo quando tu achas que já não o sentes, é como a poeira de que somos feitos, é como os átomos e as ligações que eles estabelecem entre eles, existe em todas as partes (porque existe dentro de cada um), apresentando infinitas possibilidades , infinitas nuances, de amar um e outro, aquele e mais alguém. Dele nascem as coisas mais bonitas que podem existir. Em nome dele, quantas guerras foram travadas? Quantos livros, músicas, quadros, estátuas, poemas, foram criados sob a sua alçada? Há tantos tipos de amor quantas cores numa palete de pintor. Amor é o que me faz acordar todos os dias com a fé cega de que o amanhã vai ser melhor, que vale a pena viver a vida. Amor é, caindo no cliché, a força que move o mundo. Mas é fodido, o tempo todo. E ninguém disse que ia ser diferente, e quem disse que termina sempre em final feliz contou uma bela de uma mentira. Obrigada Amor, por ser a minha anima.

Segunda-feira, 19 de Março de 2012

A quem não nasceu II

Querida Maria Helena (ou Lena, porque MªHelena eu só te chamo quando a conversa é séria),

fui há um tempo ao médico, e ele disse-me que os meus ovários são preguiçosos. Não ovulam todos os meses, e que na pior das hipóteses, eu teria de fazer um tratamento, no futuro, se quiser ter filhos. E eu nem me importei. A minha fé na ciência é tão cega, e tão inabalável, que sei que tu vais nascer, Helena.

Esse será o dia mais feliz da minha vida, meu amor.

Quero ensinar-te tantas coisas, desaprender tantas outras. Dar-te o meu colo e tudo o que estiver ao meu alcance, porque o meu amor, é todo teu e do teu irmão.

Quero ensinar-te a lutar pelos teus sonhos, quero ensinar-te a amares a vida, com tudo o que ela trás, o bom e o mau.

E começo desde hoje, através destas cartas. A primeira lição, sê verdadeira contigo mesma, em todas as ocasiões porque o que realmente importa nesta vida, é estarmos em paz com a nossa consciência. A única pessoa a quem tens que agradar é a ti mesma.

A segunda lição é: Ama-te a ti, muito e sempre, seja qual for a circunstância, ama-te em primeiro lugar porque só assim podemos amar os outros, compreendê-los com todas as suas falhas e todas as suas qualidades.

A terceira lição é: quando o mundo parecer ruir, respira fundo, solta o ar devagarinho e pensa friamente sobre o que está a acontecer. Nunca tenhas vergonha de pedir ajuda a quem de direito, vergonha é cometer um crime, é não ter a humildade necessária para se reconhecer que necessitamos da ajuda de outrém. E já sabes, o meu colo, está sempre aqui. Eu estou sempre contigo, no teu coração.

Com todo o meu amor, incondicionalmente,
Mãe.

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Day 2 - Your favourite movie

Esta é de caras, Cálice de Fogo. Porque é aquele cuja adaptação é a minha preferida, sem mais.

Day 1 - Your favourite book

Esta é bastante mais simples do que se poderia pensar.

Eu podia dizer que o meu livro favorito é Pedra Filosofal simplesmente porque ele foi o primeiro, porque nunca me esquecerei da minha curiosidade acerca dele, quando a minha avó mo deu olhando bem fundo nos meus olhos, sendo que os dela brilhavam e dizendo: "li bastante sobre a saga, sobre a autora e li várias passagens dele. Minha querida, lê-o e dir-me-ás o que achaste mas nunca te esqueças das lições que vêm aí dadas. Espero que gostes dele tanto quanto eu gostei para to oferecer. Diverte-te e depois conta-me tudo. E quando quiseres os outros, diz-me, que é com todo o gosto que tos ofereço." E começou uma paixão que se transformou em amor, porque eu tinha a exacta idade do Harry a cada livro, porque sentia as aventuras deles, as perdas, os fracassos e as derrotas como se meus fossem.

Nunca esqueci de nada, avó. Como nunca me esquecerei de ti.

Podia dizer que o meu livro favorito é Cálice de Fogo, talvez porque me parece que ele é um marco da metade da adolescência. Algures a meio caminho entre a criança que ficou para trás e o jovem adulto que virá adiante, talvez porque ele tem um tom de acabar com a inocência, destruir alguns sonhos e colocar desejos e esperanças no futuro, especialmente porque acho que a forma como se vive essa fase e aquilo que se retém dela, marca a personalidade de cada indivíduo para sempre. Parece-me que foi ontem, que enquanto lia o quarto livro, ia perdendo, juntamente com o Harry, parte da minha inocência.

Porém, nenhum destes é o meu favorito. Talismãs da Morte ocupa esse lugar, desde a primeira página, até ao fim, não só por todo o tom em que é escrito, meio tenso, meio melancólico meio sereno, que é o meu favorito, com todas as peripécias e finalmente o desvendar de tantos "porquês" como pela maneira brilhante de fechar o ciclo, pela soma de tudo o que aprendi ao longo da saga e do que senti quando cheguei ao "tudo estava bem", marcou-me a alma a ferro e fogo, para sempre. E por isso, obrigada. Nunca me esquecerei, until the very end.

Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

30 Days Harry Potter Challenge



Não consegui resistir por isso, here it goes:

Day 1
Day 2
Day 3
Is there any of the films adaptations that have made you angry because they’ve ignored important parts of the book?
Day 4
Least favourite female character and why
Day 5
Favourite male character and why
Day 6
What house you would like to be in
Day 7
Favourite female character and why
Day 8
What do you think would be your favourite lesson
Day 9
Least favourite male character
Day 10
Horcruxes or Hallows
Day 11
What character would you say you are most like
Day 12
Favourite relationship
Day 13
Least favourite movie
Day 14
Team Voldemort or Team Harry
Day 15
Who would be your best friends at Hogwarts (three only)
Day 16
Favourite professor
Day 17
Are you excited about The Deathly Hallows movie or scared it won’t do the book justice?
Day 18
Least favourite book
Day 19
Do you prefer the books or films?
Day 20
If you had to meet one member o the cast, who would it be?
Day 21
Out of all the characters that died, if you could bring one back, who would it be?
Day 22
Harry Potter or Twilight?
Day 23
Any part of the books/movies that makes you cry
Day 24
Any particular scene you wished would have been put in the movie but it wasn’t
Day 25
Nineteen years later: Are you happy how it turned out, or do you wish something was different?
Day 26
If you could be able to work one spell without a wand, what would it be?
Day 27
Would you rather own the Invisibility Cloak, the Resurrection Stone, or the Elder Wand?
Day 28
Do you listen to Wizard Wrock? What do you think about it?
Day 29
Did you enjoy A Very Potter Musical?
Day 30
What affect has Harry Potter made on your life, and how much does it mean to you?

Para quem ainda não nasceu

Meu querido Afonso,
talvez aches que é uma estupidez eu estar a escrever para ti, desde hoje, Fevereiro de 2012, quando ainda nem sei como vão ser as coisas amanhã, mas tu és uma das certezas absolutas que eu tenho na minha vida, desde bastante nova. Talvez perguntes, porquê isto, porquê agora e porquê desta forma?

O facto, é que eu decidi escrever-te desde hoje, para que me possas conhecer como eu sou hoje e para que eu te possa aconselhar antes de ser tomada pelo quotidiano, pela inexorável corrida do tempo, pela idade, pelo cansaço, pela desilusão frente á nossa sociedade. E sobretudo para que tu me vejas, sem floreios, sem máscaras (porque eu sei que temos a tendência a achar que os nossos pais sempre foram de uma certa forma e parece estranho pensar que algum dia eles foram jovens e menos tolhidos pela mesmice do dia-a-dia) e principalmente, para que saibas que te amo, sempre amei e sempre vou amar. Porque amei desde a ideia de ti até à pessoa que és hoje e à pessoa que serás amanhã.

Sim, Afonso, escusas de pôr essa cara de descrente; amo-te tal como és, com todos os teus defeitos e qualidades. Sei que podes achar que és menos querido, que não és nada de especial mas isso não passam de ilusões e ideias pré-concebidas que tens metidas na cabeça. Eu sei que são ilusões e que não passam disso porque vê bem, eu fui assim, (e antes de mim o meu pai, o pai dele, e mãe do pai dele) e tu não poderias ser diferente porque és metade de mim e metade do teu pai numa combinação única que faz de ti um ser humano especial e irrepetível.

A ideia não é propriamente minha, uma amiga antes de mim fez o mesmo para a filha dela, eu já te contei sobre isso, lembras-te? Enfim, o ponto aqui é que eu preciso de escrever-te estas cartas, em parte porque tenho medo de me esquecer de quem fui, em parte porque tenho medo de não saber transmitir-te certas coisas de outra maneira. Convenhamos, meu querido, eu não sei outra maneira de me expressar melhor e as cartas dão um toque de verdade à coisa toda, porque não se consegue mentir totalmente quando se escreve, deixamos sempre transparecer alguma coisa de nós quando escrevemos. Pois é, é uma catarse.

Hoje tenho apenas uma lição importante a dar-te e um conselho (todas as verdades ouvirás e só uma tomarás). Não me lembro se alguma vez te contei sobre o porquê do teu nome ser este. Podes pensar que é só porque eu sou patriota e achei que devia dar-te o nome de quem fundou o nosso país e de quem nos deu a nossa língua, mas não é por isso, ou melhor, não é só por isso. O teu nome significa "pronto para o combate", deves achar que é feio o significado dele, ou no mínimo belicista mas não, não é nada disso.

Há muitos anos, fiz uma promessa no meio do desespero: se entrasse no curso de Medicina e tivesse um filho rapaz, ele seria chamado de Afonso, em honra a Deus por me ter ajudado a vencer a maior luta da minha vida (porque foi uma luta, entrar para o curso, foi uma luta acabá-lo e é uma luta constante exercê-lo) e com o desejo de que os meus filhos fossem capazes de lutar pelo que querem. Não te digo isto em tom de queixa, não penses nisso. Faço-o com orgulho.

A vida, para valer a pena, deve ser vista como uma luta incessante pela felicidade e só tirarás prazer dela se fores capaz de escolher a tua luta e se te debateres por ela até ao fim com dignidade, coragem e honestidade. Nem sempre vais ser vencedor, vão haver muitas derrotas, sei bem disso (e como sei) mas cada cicatriz na alma que cada batalha te der, deverá ser sempre motivo de orgulho, porque tens a consciência limpa e porque cada sucesso e cada fracasso trouxeram um ensinamento. "Põe quanto és no mínimo que fazes", porque é assim que as pessoas perduram, Afonso, porque imprimiram em quem as rodeou e naquilo fizeram a sua marca pessoal.

Nunca deixes de lutar Afonso, pelo direito a ser quem és, pelo direito que os outros têm de serem quem são, pela justiça, pela amizade, pela verdade mas sobretudo, pela tua felicidade. Meu amor, nunca cruzes os braços perante as adversidades, nunca vires as costas à oportunidade de ser feliz. É preciso dar cabeçadas para aprendermos a não cometer os mesmos erros, é preciso estar algumas vezes triste para poder compreender a importância da felicidade mas sempre, nunca te esqueças, nunca perdendo os valores e as crenças que fazem de ti quem és.

Luta, meu filho, que eu estarei sempre contigo, no teu coração, celebrando as tuas vitórias e consolando-te nas tuas derrotas. Nunca te esqueças que a maior alegria da minha vida é fazer de ti e dos teus irmãos Homens e Mulheres que nunca baixem a cabeça perante os problemas e que sempre saibam que são as nossas acções que nos definem enquanto seres humanos.
Todo o meu amor, sempre,
Mãe.